sábado, 15 de março de 2014

A ética da pista

Em todo tipo de corrida (se bobear, em todo esporte) existe um código de ética não escrito que todos os participantes respeitam. No caso do kart-rachão, aquele de fim de semana, geralmente há uma diferença considerável nas performances dos pilotos, então é imprescindível que esse código de ética seja respeitado, ao menos na intenção. 

A primeira regra é bem básica: respeite a bandeira azul. Se você está pra trás, seja lá por qual motivo, e receber bandeira azul, facilite a ultrapassagem de quem está te dando volta, pois ele pode estar brigando por posição e você pode atrapalhá-lo. Não é preciso enfiar o pé no freio, basta seguir uma linha reta ou fazer a curva seguinte mais aberta que o cara se vira pra te passar. Uma tiradinha de pé é sempre bem vinda.


O cara das bandeiras. Preste muita atenção nesse cidadão!
Outra regra também diz respeito à bandeira azul. Imagine a seguinte condição: você está tentando ultrapassar outro piloto e ambos recebem bandeira azul, pois o líder está para dar uma volta em vocês. O cara tira o pé antes (ele pode achar que o mais rápido é você ou contar que você também esteja tirando o pé). Não o ultrapasse nem no embalo do líder. Se aproveitar a situação para ultrapassá-lo, você não terá ganhado a posição na pista, e sim numa malandragem. Mamãe reprovaria!

Nem precisa falar pra não ultrapassar em bandeira amarela, né?

Toques muitas vezes são inevitáveis, principalmente porque kart não tem retrovisor, mas totós intencionais é coisa que não se faz. Dar de quina no lado de dentro do adversário no meio de uma curva para sair mais rápido que ele (no melhor estilo Forza/Gran Turismo) é jogar sujo. Se a direção de prova estiver atenta, você será punido. 


Corridinha em Portugal
Nunca ultrapasse quando não dá. Parece algo óbvio, mas muita gente, principalmente a galera que está começando, não tem essa noção. Se o cara está no traçado perfeito da curva, respeite, mesmo que você tenha dado uma bobeada que tenha permitido isso, aproveite pra tentar dar um X depois, que é a ultrapassagem mais bacana de se fazer. Se você não sabe o que é um X, nos próximos posts descobrirá.

Cortou uma curva sem querer e ganhou uma posição, devolva-a o mais rápido possível, tal como ocorre na Formula-1, mas de preferência sinalizando para o piloto te passar, pois se a direção de prova te vir cortando a curva, você será punido também, então deixe claro que foi sem querer e devolva a posição. Se a direção não tiver visto, pelo menos você agiu corretamente.

Não adianta citar Nelson Piquet, Michael Schumacher e o próprio ídolo nacional, Ayrton Senna dizendo que eles não respeitaram esse código em favorecimento próprio e detrimento de outro piloto por diversas vezes, pois eles ficavam putos quando os outros faziam isso com eles. Pense que você não quer fazer para os outros o que não gostaria que fizessem com você.

Crédito das fotos: Royalbroil e Jose Pereira

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O capacete

O cara recebeu mais convites de amigos pra brincar de kart e pegou gosto pela corrida de cortadores de grama, mas tem uma coisa que o incomoda, que é o capacete emprestado pelos kartódromos, geralmente bem fuleiro, com viseira riscada e completamente azedo devido à quantidade de pessoas que já o enfiou na cabeça e suou litros dentro dele. O que esse cara mais quer pra continuar participando de corridas é comprar um capacete pra chamar de dele. Mas o que é preciso saber na hora de comprar um capacete para praticar kart? Não muita coisa, porém coisas importantes.

Se você for a uma loja especializada em capacetes e dizer que quer um para kart, é bem capaz que o vendedor te empurre um de automobilismo, que tem proteção antichamas, bem mais caro, mas como o kart não é fechado e o piloto não anda preso a ele, o uso desse tipo de capacete não é obrigatório nem em corridas oficiais.


Capacete do Kimi Raikkonen para o GP de Mônaco de 2006
Tirando os capacetes antichamas da frente, sobram os de motocicletas, que os preços variam de 50 (os que você encontra nos kartódromos) a alguns milhares de reais (Arai, Bell, Shoei, AGV...) mas aí tem um detalhe que vale a pena observar pra ter um mínimo de proteção em caso de acidente, que é ele ter o selo do Inmetro. Claro que se for comprado na gringa, não terá o selo (os importados vendidos oficialmente no Brasil têm), mas quem está no exterior e pretende comprar um capacete, que compre de marca conhecida por esse e por outro motivo que vou dizer no próximo parágrafo.

É importante verificar o preço das viseiras de reposição e se é fácil encontrá-las, pois é muito comum ela ser danificada atingida por pedras soltas na pista ou pedaços de borracha que escapam dos pneus. Comprou um gringo que não vende por aqui? Salsi-Fufú!

O que muita gente não sabe é que capacete tem prazo de validade, que não depende exatamente da data de fabricação, mas sim do início de seu uso. Para motociclistas, que usam o capacete em média 12 horas diárias, o prazo de validade é de 3 anos, desde que não tenha sofrido queda. No caso do kart é difícil mensurar uma validade, já que se usa no máximo uma vez por semana, então resta ter o bom senso de verificar se as peças internas e externas continuam firmes, se o acolchoado não foi comprimido com o tempo, se a viseira ainda está boa, se tem peças de reposição e outros detalhes do tipo.

Selo do Inmetro em capacete para motociclismo
Com uns 200 reais já dá pra comprar um capacete certificado pelo Inmetro com visual bacana e entradas de ar (fundamentais para dias quentes), então, meu filho, agora é só ir a uma loja qualquer, escolher o modelo que caiba na sua cabeça e no seu bolso, mandar personalizar (se você for fresco) e pisar fundo nas corridas!

Créditos das fotos: Mark Hintsa e Fernando Vivaldini

sábado, 22 de fevereiro de 2014

O básico para o piloto de primeira viagem

O cidadão recebe pela primeira vez na vida um convite de um amigo para correr de kart, não tem a menor ideia do que o espera e tem vergonha de perguntar pro tal amigo, já que ele é fanático por Formula-1, não perde uma no Gran Turismo 6 ou no Forza 5 e não quer dar o braço a torcer. Se você se encaixa nesse grupo, leia o texto. Se não se encaixa, leia também, vai que tem algo aí que te ajude!

Primeiramente, fique tranquilo em relação aos equipamentos, pois kartódromos sempre emprestam o capacete, que é o único item obrigatório. Outros como macacão, luvas, balaclava (altamente recomendável quando você usa um capacete emprestado), protetor cervical (o Hans de pobre) e de costela costumam estar disponíveis também, mas alguns kartódromos emprestam e outros alugam, então vale se informar antes pra saber exatamente o quanto será gasto na brincadeira. 


Kartódromo de Saint-Michel-Chef-Chef, na França
Procure chegar pelo menos uma hora antes do início da bateria, assim você vê outros pilotos correndo, repara em como eles fazem as curvas, que erros cometem e outros detalhes do tipo. Aliás, ser detalhista é algo de muito valor no mundo do automobilismo, vide os ajustes milimétricos que os grandes campeões sempre fizeram, e fazem, em seus carros, sejam mecânicos ou posicionamento de banco.

Todo kartódromo sério faz os pilotos participarem de um briefing antes da prova. Nele são ditas as características da pista, dos karts, a metodologia de tomadas de tempo e de corrida, regras, bandeiras e critérios de penalizações.

Uma vez sentado no kart, ajuste o banco de forma que se sinta confortável (se não conseguir, peça ajuda a um funcionário do kartódromo). O risco de susto quando se olha para os pés é grande, pois diferente dos carros de passeio, é o pé esquerdo que freia.


Gringada prestando atenção ao briefing
Segure o volante com suas mãos em posição entre 1h50min ou 2h45min, nada acima ou abaixo disso (se não captou a referência, imagine que suas mãos são ponteiros de um relógio marcando essas horas aí). A mão que faz a curva é a de fora, então se for para a direita, a mão esquerda move o volante e a direita é apenas um peso morto, se for para a esquerda, é o inverso.

Seja delicado com os pedais que já te assustaram, pois se enfiar o pé no freio com força, as chances de rodar são bem grandes. Com o acelerador não precisa ser tão frufrú, mas não é bom sair da curva enchendo o pé. Imagine que a diferença de intensidade para se pisar no freio e no acelerador é a mesma que brincar de MMA com um bebê e com moleque de 12 anos. E sempre tire o pé do acelerador antes de freiar e do freio antes de acelerar.

Memorizou as dicas? Ótimo, pois se prepare para esquecê-las quando ler o texto de dicas mais avançadas, hehehe

Crédito das fotos: manuel | MC e Simon Green

domingo, 2 de fevereiro de 2014

O interesse pelo kart

A quantidade de pessoas interessadas em disputar corridas de kart nunca foi pequena. Dá pra dizer que todo homem já se imaginou sendo piloto de corridas pelo menos uma vez na vida, assim como jogador de futebol, e, apesar de ser um esporte de interesse basicamente masculino, o número de mulheres praticantes também vem crescendo.

A febre dos karts indoor no Brasil, e principalmente em São Paulo, fez com que kartódromos fossem abertos praticamente em toda esquina da cidade há cerca de quinze ou vinte anos atrás. Com preços atrativos devido à grande concorrência, ao custo relativamente baixo de manter uma pista pequena, geralmente com seu traçado definido por pneus ou barreiras simples num local fechado e com karts de baixa potência, fez com que o esporte, sempre considerado elitista, caísse no gosto do povo.

Indoor tradicional. Esse fica longe, é o  Kenilworth Karting, na África do Sul
A modinha passou, mas aficionados ficaram e continuaram disputando suas corridas, procurando kartódromos maiores com veículos mais potentes. Hoje, com o país numa melhor situação econômica, muita gente tem voltado à prática e novos adeptos continuam a surgir, mesmo existindo poucos bons kartódromos à disposição.

Na cidade de São Paulo existe apenas o Ayrton Senna (no complexo do autódromo de Interlagos), que está sendo administrado pelo mesmo grupo do Granja Viana, de Cotia, um dos melhores do país. Existem outros em cidades vizinhas, como Atibaia e Itu, atualmente em situações precárias, principalmente o primeiro, Paulínia, Barueri, Nova Odessa (o maior do mundo), entre outros, todos com karts de aluguel equipados com motores de 13 HP.

Largada da Stock 125, no Kartódromo Internacional Granja Viana
Com isso, a ideia desse blog é trazer dicas de pilotagens e equipamentos, tanto para iniciantes quanto para pilotos avançados, afinal, sempre pode ter uma coisinha que passou em branco ou esquecemos.

Crédito das imagens: warrenskiw e Claudio PlanetKart